sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Especialistas temem que Papa seja vítima de atentado


O papa Bento XVI começa nesta sexta-feira a  vigésima quarta viagem ao longo de seus sete anos de pontificado. Mas seus três dias de visita ao Oriente Médio causa preocupação. Essa viagem coincide com a grande tensão dos últimos dias na região, provocada por um filme amador que foi considerado ofensivo ao Islã.
As manifestações violentas causaram, inclusive, a morte do embaixador americano na Líbia e deixaram dezenas de feridos em vários países.
Estão previstos sete discursos de Bento XVI  durante sua primeira visita ao Líbano, onde os cristãos são minoria. Segundo seu porta-voz, o padre Federico Lombardi, o Papa dará “um sinal de participação e incentivo” aos moradores de uma região problemática “sem se deixar levar pelas circunstâncias”. A Santa Sé condenou  ”a atividade de organizações terroristas” neste últimos dias, lembrando que “nada justifica a atividade de organizações terroristas e a violência homicida”. Implicitamente, o Vaticano parece acreditar que se trata de um ataque organizado, não apenas um movimento popular espontâneo que teria sido causado pela difusão do filme “A inocência dos muçulmanos” na internet.
O papa de 85 anos, afirmou que viaja “sob o signo da paz”. Ele pediu às autoridades da região que façam da busca do diálogo e da reconciliação prioridades no Oriente Médio. Além disso, deverá entregar aos bispos da região o documento final do Sínodo de Bispos para o Oriente Médio, redigido no Vaticano em 2010, com a participação de 185 bispos.
Ele será recebido em Beirute pelo presidente do Líbano, Michel Suleiman. No domingo, celebrará uma grande missa na capital. Autoridades libanesas tranquilizaram o Vaticano de que a segurança vai ser reforçada durante a viagem. Curiosamente, facções políticas e religiosas do país anunciaram uma “calorosa recepção” para Bento 16, incluindo o Hezbollah, o partido islâmico considerado terrorista pelos Estados Unidos.
O líder do Hezbollah, Sayyed Hasan Nasrallah, disse que essa visita do papa é “histórica”. Najib Mikati, o chefe do governo libanês, apoiado pelo Hezbollah, declarou que 15 de setembro, o dia central da visita papal, será feriado nacional.
Mesmo assim, alguns imãs radicais no mundo árabe já afirmaram que o Papa não é bem-vindo. Porém, em sua agenda está uma reunião no sábado (15) com líderes políticos e religiosos, incluindo muçulmanos sunitas, xiitas e alauitas.
Na sexta-feira, o padre Miguel Angel Ayuso Guixot, secretário do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, pediu o fim imediato da violência na Síria, insistindo para que o governo de Assad responda às “aspirações legítimas do povo sírio” através do diálogo.  O líder do maior grupo cristão do Líbano, o Patriarca Maronita Bishara Rai, manifestou apoio a Assad, o que gerou muitas críticas das facções muçulmanas.
Os atentados são cada vez mais comuns contra comunidades cristãs da região, que tem vivido um período de grande insegurança. Especialistas temem que a onda recente de protestos possa resultar em algum tipo de atentado contra a vida do papa. Estima-se que existam cerca de 15 milhões de cristãos do Oriente Médio.
Traduzido de Huffington Post